sexta-feira, 29 de junho de 2007
Punks
quinta-feira, 28 de junho de 2007
A CHOLDRA PAGA A CONTA E GANHA MEIO VOTO
Sob a máscara de "reforma política", será posto em votação na Câmara dos Deputados o maior esbulho eleitoral já praticado desde o Pacote de Abril de 1977, que entregou um terço do Senado a uma raça de sem-votos, denominados biônicos. Agora, pretende-se entregar metade da Câmara e das Assembléias ao comissariado das tendências e direções partidárias.
Hoje, o contribuinte escolhe seus candidatos para representá-lo nas câmaras legislativas. O projeto petista, que tem o apoio dos Democratas e do PMDB, mutila esse direito e institui um novo tipo de voto. Chamam-no de "lista flexível".
No sistema vigente, a preferência do eleitor vai para um panelão onde estão todos os outros candidatos do mesmo partido. Aplicado um quociente que relaciona o total de votos dados à sigla, elegem-se os que tiveram melhor desempenho. Disso resulta que em muitos casos vota-se em Delfim Netto e elege-se Michel Temer. A esse sistema defeituoso, pretende-se aplicar um remédio que transfere aos comissários o direito de decidir a composição de metade das bancadas do legislativo.
O cidadão será obrigado a escolher primeiro o partido de sua preferência. Se for petista, digitará o número 13. Caso queira escolher um candidato (para compor metade da bancada), deverá proceder a uma segunda digitação, explicitando o número do seu preferido, por hipótese, 1313. Como todos os candidatos petistas têm os mesmos dígitos iniciais (13), o que se pretende é dificultar o voto nominal.
Como se a choldra tivesse o direito de escolher o partido mas, caso quisesse um nome, teria que coçar o nariz quatro vezes. A segunda metade das câmaras legislativas sairia de uma lista fechada. Os defensores do pacote sustentam que esse tipo de voto fortalece os partidos, dando-lhes mais músculos. Falso.
O artigo 6º da proposta fortalece apenas os atuais deputados, presenteando-os com o direito de encabeçar a lista. Num exemplo, da chapa petista de São Paulo, os deputados João Paulo Cunha, mensaleiro absolvido pelos pares; e Arlindo Chinaglia, presidente da sessão que pretende votar a "reforma", estariam automaticamente reeleitos, sem sair de casa. Na atribulada história do Parlamento brasileiro, jamais houve caso tão escancarado de prorrogação de mandatos.
Admita-se que o cidadão é um petista de carteirinha e tem fé nos comissários. Ele acha isso natural porque pretende fortalecer a estrela vermelha. Aí entra o aspecto cínico da "reforma". Ela cria "federações de partidos". Nesse caso, o petista vota no 13, mas poderá eleger um candidato do PC do B, caso ele se tenha coligado com o PT.
Mesmo assim, pode-se sustentar que a nação petista decidiu formar uma federação com o PC do B, e isso faz bem à democracia. Falso. O projeto admite que os partidos façam um varejo de coligações, em todos os níveis. Nada impede que o PT, ou o PMDB, faça uma sociedade com o PC do B em São Paulo, enquanto em Alagoas ele se alia ao PTB de Fernando Collor. Seria o caso de se propor uma emenda ao projeto. A patuléia passa a pagar só os salários do parlamentares em quem pode votar (a metade).
Os demais iriam buscar o seu com os comissários.
terça-feira, 19 de junho de 2007
"BUSH ASSASSINO! VIVA FIDEL!"
Por outro lado, Fidel Castro, "presidente" de Cuba desde 1959, em um regime político de partido único, merece ovações do autor da frase. Só não sei dizer se o "viva" refere-se a um brinde à atuação de Fidel, ou se o pichador ressente-se de o líder cubano estar à beira da morte, e deseja que ele continue a viver.
Não posso negar que, desde 1959, Cuba teve muitos avanços sociais. A universalização do ensino e o ótimo sistema de saúde que eles têm (ou tinham) são bons exemplos disso. Todavia, creio que a experiência cubana poderia ter dado um passo à frente em 1991, quando a União Soviética deu lugar à CEI, e foram cortados todos os subsídios dos camaradas à experiência tropical-socialista.
Mesmo assim, não entendo a demonização do mandatário estadunidense, em contraposição ao seu semelhante cubano. Ora, será que o fato de o Sr. George "Johnny Walker" Bush ter sido indiretamente responsável por centenas de milhares de mortes no Iraque isenta Fidel de culpa? Creio que não.
George W. Bush cometeu (muitos) erros em seu mandato, inclusive comandar uma mal-sucedida invasão ao Iraque, culminando em guerra civil que até agora ceifou a vida de algumas centenas de milhares de inocentes. Aliás, os presidentes dos EUA mereciam um Tribunal de Nuremberg próprio, pois há muitas décadas patrocinam regimes totalitários assassinos. Para ficar em somente dois exemplos destestáveis, podem ser citados os de Mobutu Sese Seko, no Zaire, e o de Suharto, na Indonésia.
Fidel Castro, por sua vez, foi o responsável direto pela emigração de centenas de milhares de cubanos para a Flórida, além de ter ordenado a execução de muitos opositores nas prisões cubanas. Sem falar que comanda com mão de ferro um país há quase 50 anos, e falido há pelo menos 15 deles. Seria isso admissível?
Assusta-me mais ainda saber que, muito provavelmente, a pichação foi obra de um estudante universitário, espécime comum por aqui, pois moro nas cercanias da UFSC. Afinal, já vi professores em alguns cursos da UFSC resumirem a Humanidade em um maniqueísmo fundado na demonização do Estado de Direito e na quase canonização daqueles que instauraram ou tentaram instaurar a Revolução Socialista (assim mesmo, em maiúsculas) em alguma nação agrária.
Sinto pena desses alunos. Em vez de uma formação profissional, muitas vezes passam por alguns anos em um processo de doutrinação barata, sem profundidade. Derretem-se de amores por alguém como o Hugo Chávez, por exemplo, e passam os anos a maldizerem o sistema de produção que os alimentou e lhes deu educação. E então, já na meia-idade, resignam-se a trabalhar de assistentes administrativos em algum banco.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
CLICK ARVORE
Trata-se do ClickArvore, projeto da ONG SOS Mata Atlântica. É uma iniciativa muito simples: primeiro, o sujeito cadastra-se no site. Feito isso, basta acessá-lo e clicar no ícone. Assim, o sujeito "planta" uma muda de árvore em algum projeto de reflorestamento da SOSMA. Os custos da muda e do plantio são pagos por um dos patrocinadores.
Cada usuário cadastrado tem o direito de plantar uma muda por dia. Porém, caso queira plantar mais mudas, ele pode adquiri-las, ao custo de R$1,20 por muda. A SOSMA encarrega-se de fazer o plantio delas. Todo plantio, pago ou gratuito, pode ser acompanhado pelo site, no qual é indicado o local onde este foi feito. Muitas vezes, também são mostradas fotos desse local.
Então pessoas, fica divulgada a iniciativa deles. Não vou ficar pedindo "por favor, cadastrem-se". Apenas digo que considero uma boa idéia. E quem quiser que a aproveite.
Vide:
quinta-feira, 31 de maio de 2007
IRON MAN
Desportistas, não! Loucos, isso sim. Afinal, uma pessoa normal não se disporia a nadar 4,8Km, pedalar outros 100Km e por fim dar uma "corridinha" de 42Km em troca de um patrocínio meia-boca e 12 segundos na mídia. Por isso sou obrigado a concluir que os competidores, na verdade, gostam do sofrimento a que se submetem. Fazer o quê? Cada um com as suas psicopatias.
Porém, não é sobre o Iron Man em si que eu gostaria de comentar. E sim sobre a tremenda putaria que o Poder Público fez com o trânsito da cidade para que essa competição ocorresse. Alguém tentou dirigir em Floripa no dia da prova? Se tentou, garanto-lhe que deve ter chegado em casa no mínimo com vontade de atropelar um ciclista.
A cada evento "internacional", Floripa tem suas principais vias urbanas fechadas. Pode ser etapa do Iron Man, da Fórmula Renault, Festival de Axé ou a corrida dos cheiradores de lolozinho anônimos. Qualquer coisa serve para tornar a cidade um verdadeiro caos, do ponto de vista da circulação de pessoas. Fecham-se a Avenida Beira-mar, a Via Expressa Sul e a SC-401 (as três principais artérias de tráfego), enquanto os cidadãos (expliquemos aos governantes: ELEITORES) espremem-se em vias tortuosas construídas em 1915.
Digam-se, senhores: para quem é feita a cidade? Para seus habitantes, que pagam impostos (e elegem os que estão no poder), ou para os promotores de tais eventos? Não quero colocar-me contra a realização destes, até porque a visibilidade que dão à cidade movimenta a (parca) atividade turística daqui.
Não que os carros devam ser privilegiados. Em Brasília, a principal via da cidade (o Eixão) é fechada ao tráfego todos os domingos, para ser utilizada como pista de caminhada e ciclovia. Em lugar dos carros, ganha-se um espaço público que proporciona lazer a milhares de pessoas, e não um espaço privado para alguns promotores de eventos ganharem dinheiro em cima.
Pensemos no interesse público. Será que não existem outras vias da cidade que podem ser fechadas para sediar tal evento? Sugestão: a estrada do Rio Vermelho. Com certeza seriam muito menos os prejudicados do que os que o foram domingo passado. E, se formos fechar uma via para o tráfego, não é melhor fazermos para que a população em geral a utilize?
terça-feira, 22 de maio de 2007
"PENSANDO A CIDADE- RELATÓRIO DA PALHAÇADA"
"Florianópolis - PENSANDO A CIDADE - Com o "palestrante" Luiz Henrique da Silveira
(Ontem, 15/05)
Horário de início oficial do evento: 18:30
18:45 - Chego na FIESC. Entro no hall e para minha surpresa tá rolando um coquetel... Será que eu errei o horário e a palestra já acabou?? Nãooo, enquanto eu tomava um café me explicam que o Governador tá voltando de uma "missão em Brasília" (esse é o código pro red ou pro black label?) e vai atrasar um pouco, por isso liberaram a ração pra porcada não
berrar.
19:00 - Contagem: tem uns 5 alunos da UFSC. A Beatriz, professora de arquitetura, também está presente.19:15 - Fui na recepção pegar meu "material". Só tinha propaganda, a única coisa útil eram 2 folhas em branco e uma caneta. Foi aí que reparei: o evento é patrocinado por Elevadores
ThyssenKrupp, Gerdau e Grupo Votoran... Cimento, aço e elevadores... OH, O QUE
SERÁ QUE ELES QUEREM FAZER COM FLORIPA??
19:16 - Um amigo meu tem a sensacional idéia de mudar o nome do evento para "Concretando a Cidade".
19:20 - Pessoal começa a entrar no auditório. Música de motel rolando.
20:15 - Com quase 2h de atraso (isso que é respeito pelo povo!) chega a noiva, seguida de uma tripa de puxa-saco. Sem brincadeira, eram uns 20 seguindo ele auditório abaixo, parecia que tavam segurando a grinalda da criança.
20:30 - A mulher do Bom Dia SC é a mestre de cerimônias. Discursinho de boas vindas, hino nacional, blablabla, e chega a hora de chamar os componentes da mesa (umas 15 pessoas). Sem brincadeira, aquilo era a listagem da Polícia Federal: Marcondes (Costão), Péricles de Freitas (Presidente Habitasul; 3 envolvidos), entre mais uma corja realmente DO MAL.
20:45 - O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis faz uma abertura da palestra, onde mete pau na operação Moeda Verde e trata a corja da mesa como heróis injustiçados. Passam então um vídeo produzido pelo Sindicato, que parece muito ter sido produzido com base na entrevista do LHS na TVBV. Um total absurdo, uma falta de bom senso.
20:50 - Aparecem palmas quando o cara se empolga metendo pau na Polícia Federal. Pela contagem das palmas, concluí que 2/3 da platéia era formada de puxa-sacos e empresários. O outro 1/3 da platéia que não bateu palmas era formado por estudantes, professores e outras pessoas com cérebro.
21:00 - A apresentadora bonitinha informa que devido ao fato do tempo ser curto e o governador ter outros compromissos depois da palestra (22h - Martini; 23h - Conhaque) a platéia não poderia FORMULAR PERGUNTAS(!). Ouve-se um murmúrio das pessoas com cérebro, e um com o cérebro um pouco maior berra: "Eu já sabia! Conta alguma novidade!!"
21:02 - Chega a hora da excelentíssima morsa falar. Não vou detalhar muito porque ele praticamente repetiu o que disse na entrevista (com algumas besteiras inéditas).
21:05 - Pauladas na PF. Citações de Marx, de filósofos gregos e o escambau pra defender os indiciados. Discurso emocionado e indignado. Dois terços de palmas. Mete pau nas favelas e diz que onde não se constrói empreendimentos tudo acaba virando favela e esgoto a céu aberto. Palmas.
21:20 - Começa com um histórico besta sobre economia. Enrolação pra dar uma de cult. Logo se cansa do papinho e volta a atacar. Dessa vez é o CONAMA quem vai pro saco. "Meia dúzia de técnicos que pensam que mandam no mundo", berra cuspindo. Um terço da platéia indignada, boquiaberta. Dois terços clap clap clap.
21:40 - Papinho dos hotéis. Fala do hotel "internacional" que acabou indo pra Tailândia porque aqui não rolou. Dá exemplos pitorescos das mil e uma edificações que ele viu em suas viagens, atingindo o clímax dando o exemplo de um hotel em que o hóspede desce de elevador (ThyssenKrupp?), pega uma ESTEIRA ROLANTE por cima da AREIA e é "depositado" confortavelmente na sua marina. Dois terços aplaudindo, um terço se beliscando pra confirmar que não era um pesadelo.
21:50 - LHS dá a informação de que ele está negociando a vinda de uma grande montadora de automóveis pra cá (olha a idéia), mas o motivo de estarmos perdendo a concorrência pra um Estado vizinho é de que aqui não há nenhuma escola americana pros filhos dos frufrus crescerem falando inglês, e que acima disso a principal exigência dos gringos é que eles PRECISAM de um campo de golfe, senão não rola!!! PUTA MERDA!! Momento de maior tumulto na platéia, risadas histéricas e uns berros indignados. Pensei na sugestão deles jogarem críquete na joaquina. Ou ainda peteca, frescobol. Só faltou o LHS se abaixar, levantar a toalha da mesa, baixar as calças do Mr. Costão do Santinho e lamber suas bolas. Mas isso não aconteceu, pelo menos durante a palestra.
22:00 - Mais algumas besteiras intercaladas com palmas e beliscões e ele parte pro final. Discurso inflamado e emocionado, papinho sobre crescimento e desenvolvimento blablabla e o 'muito obrigado' final. Palmas enfurecidas.
22:01 - Uma mulher levanta a voz pra falar com LHS e começa a dizer que quando a convidaram pra participar da palestra o tema não uma cerimônia de louvor à essa putada que tenta destruir nossa ilha, e muito menos um ritual de achincalhamento à Polícia Federal, ao Ministério Público, aos Vereadores de Floripa e ao CONAMA. A horda de puxa-sacos começa a vaiar e não deixa a mulher continuar a falar. Os com cérebro começam a aplaudir a mulher. Confusão do demonho, pessoal começa a se levantar pra sair e tudo acaba com um semi-bafafá. Luiz Henrique deixa o local um pouco transtornado. FIM!
É isso pessoal, parece que mês que vem tem mais. Gostaria que essa parcela de 1/3 aumentasse... é a cidade de vocês em jogo."
segunda-feira, 21 de maio de 2007
A CHINA COMO POTÊNCIA MUNDIAL?
Todavia, continuo fui reticente quanto ao desenvolvimento da economia chinesa. Em primeiro lugar, de que adianta ter um crescimento industrial fantástico, com produtos ruins como os deles? Apenas como exemplo: dia desses fui pego de surpresa por um aguaceiro, e tive de comprar de um ambulante (leia-se camelô) um guarda-chuva, de fabricação chinesa. Situação semelhante ocorre com canetas, brinquedos e qualquer outra porcaria que se compre no camelô da esquina. É comprar e quebrar. Agora me perguntem se eu pretendo comprar um carro chinês...
Provavelmente algum economista antigo vai lembrar que o Japão, nas décadas de 1950 e 1960, também manufaturava produtos de qualidade sofrível, mas hoje é a segunda economia do mundo e suas empresas são sinônimo de controle de qualidade. Tudo bem, mas a origem da indústria japonesa remonta ao século XIX. As décadas de 1950 e 1960 serviram apenas para recuperar de forma rápida - e de certa forma barata - uma economia arrasada pela guerra.
Já a economia "industrial" chinesa é recente. De tão ridícula, na década de 1960, o líder Mao (Tse Tung) tentou produzir aço a partir das panelas doadas pelos camponeses. Somente em 1978 é que eles começaram a produzir alguma coisa, e ainda assim eram cópias malfeitas de produtos japoneses, europeus e americanos. Tinham (e têm) apenas uma vantagem: o preço. E mesmo assim porque são produzidas com mão-de-obra próxima da escravidão e sem o pagamento de royalties.
Além disso, não dá para confiar numa candidata a potência em que 85% da população ainda vive na Idade Média. Por isso, se eu fosse um investidor, continuaria a depositar meus milhões em mercados mais confiáveis. Só que não o sou. Ainda bem! Já imaginou se eu erro?
